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Trajetória / Duo Nazario
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| Lelo Nazario e Zé Eduardo Nazario, Estúdio Vila Cândida |
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| 1989 - 1991 |
Bateria, percussão: Zé Eduardo Nazario
Teclados: Lelo Nazario |
Em 1989, voltei a pensar em criar algo novo, e chamei o Lelo como parceiro, pela praticidade de tocar em duo, por nos conhecermos muito bem, e por ser uma formação inusitada, pouco utilizada, que nos dava uma vantagem timbrística. Já tinha feito isso no "Poema da Gota Serena", mas havia uma diferença básica. Enquanto no "Poema" eu fiz muito uso de "playbacks", queria partir para um trabalho que pudesse ser tocado ao vivo, com toda a riqueza timbrística dos trabalhos anteriores. Começamos a trabalhar certos temas e em pouco tempo já tínhamos um repertório montado.
Começamos a fazer apresentações, até 1991, mas o convite para ingressar no Pau Brasil com uma proposta de shows, cd's e turnê pela Europa acabou por esfriar o trabalho do duo. No entanto registramos o repertório, gravando no antigo estúdio J.V., que nessa época havia mudado de nome para "Cachet", sob a direção da família Gianullo, e esse trabalho acabou sendo utilizado no meu cd ZEN, muitos anos depois, em 1999. O Lelo também usou alguma coisa dessa sessão no cd “Se”, como faixa bônus, a música “Nocaute”. |
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| IMPRENSA |
| HALL OF FAME |
| Pearl News - 02 - 1996 - André Jung |
Perplexo, nunca vou esquecer como me senti naquela manhã de sol no Parque do Morumbi. O ano era 1976, tempos difíceis, a ditadura militar ainda impunha a “ordem e progresso”. Enquanto isso, ali diante dos meus olhos e ouvidos acontecia uma das mais impressionantes e libertárias performances musicais que eu já tinha visto. Sensação de estranheza como essa, só me lembro de ter tido ao ouvir Hendrix pela primeira vez. No palco uma pequena bateria (a primeira que vi com bumbo de 18 polegadas de diâmetro), cercada por uma infinidade de tachos, panelas, chaves e sinos era “pilotada” por uma figura magra, de barba, com um vigor e uma riqueza de informações totalmente inédita. O resultado era um caos organizado, possível graças a uma habilidade e entrosamento do mais alto nível. O “xamã” responsável pelo ritual percussivo que movia aquela usina de sons e idéias tem o nome de Zé Eduardo Nazario e o grupo chamava-se Grupo Um. Anos depois, já completamente envolvido pela mistura de jazz de vanguarda com a música étnica brasileira e universal do Grupo Um, tive o prazer e a honra de ter sido aluno desse mestre que formou tanta gente no manejo dos tambores. Na ocasião, eu e um grupo de aproximadamente trinta músico tivemos o privilégio de fazer parte do curso de percussão e bateria que Zé ministrou em 1980 (repetido em 81 e 83). Foram 12 aulas que iniciavam as 14 horas, com uma aula temática de quatro horas e terminavam na madrugada, depois de apresentações maravilhosas com o próprio Zé e alguns dos melhores músicos do Brasil de então.
Zé Eduardo sempre teve uma vocação para pioneiro, pode-se atribuir a ele a primeira transposição de diversos ritmos brasileiros para bateria. O Grupo Um foi responsável, com o fantástico “Marcha sobre a Cidade”, de 1979, pelo primeiro disco independente de música instrumental lançado no Brasil. No núcleo central do Grupo Um tínhamos a figura misteriosa de Lelo Nazario. Tecladista virtuoso e compositor de grande talento, Lelo encontrou no irmão Zé Eduardo o tradutor de seu intrincado tecido sonoro para o mundo percussivo, ampliando e completando uma obra inquietante e conceitual.
Em 1990, Lelo compõe, por encomenda da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo a peça “Limite”, composta para Banda Sinfônica e o “Duo Nazario”, como os irmãos passam a se chamar, cuja estréia se deu em 1991, na Semana Guiomar Novaes, em São João da Boa Vista (SP), sob regência do Maestro Roberto Farias. A peça também é apresentada com grande repercussão na X Bienal de Música Contemporânea do Rio de Janeiro. Em 1996, a peça tem uma consagradora apresentação no evento “Contrastes - A Criação Musical sem Limites”, realizada em grande estilo no Memorial da América Latina, ocasião em que também ocorre a estréia mundial de “Aurora”, nova composição de Lelo para a mesma formação. De alguns anos para cá, Zé Eduardo Nazario passou a integrar o Grupo Pau Brasil, gravando na Noruega o disco “Babel”, que teve uma acolhida fantática da crítica e conferiu ao Pau Brasil o Prêmio Sharp de Melhor Grupo Brasileiro de Música Instrumental de 1996.
A Brazil Percussion, por sua vez, teve a honra e o prazer de registrar o trabalho do Duo Nazario na faixa “Nocaute”, que abre o cd “Pearl Brazilian Team II”. Uma rápida ouvida basta para identificar o estilo e a personalidade marcante desse grande músico brasileiro que é Zé Eduardo Nazario. |
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